15 January, 2012

Rouquidão, porquê?




Rouquidão: Antes que a voz me doa




Quando algo não funciona bem na laringe, a voz fica rouca. A laringe é um conjunto de cartilagens, músculos e membranas mucosas que acomoda as cordas vocais. Se observadas de cima, as cordas direita e esquerda apresentam-se como uma estrutura em forma de «V», que abre para a traqueia. No fundo da traqueia, de cada lado, cada corda vocal está ligada a uma pequena cartilagem - a cartilagem aritenóide, à qual estão igualmente ligados pequenos músculos.
O controlo desses músculos é efectuado por dois ramos do nervo vago: o nervo laríngico recorrente e o nervo laríngico superior. Estes dois ramos são muito vulneráveis a ferimentos causados por pancadas, cirurgias ou outras causas. Se tal acontece, pode ocorrer a paralisia das cordas vocais, o que leva à rouquidão e outros sintomas associados a problemas do nervo laríngico.
A fonação é um processo complexo que produz o som da fala - as cordas vocais juntam-se no centro da laringe por intermédio dos músculos ligados às cartilagens aritenóides.
Assim, em condições normais, as cordas abrem-se e fecham-se suavemente, formando sons através dos seus movimentos vibratórios, mas quando o ar se escapa entre as ditas cordas, a voz ressente-se. Assim, as cordas vocais são sujeitas a forças elevadas pelo que são vulneráveis ao uso excessivo ou inadequado da voz.
Os factores que originam essa disfunção variam. Por exemplo, falar ou cantar muito alto ou por muito tempo pode resultar numa laringite, situação em que as cordas vocais ficam inflamadas ou irritadas e incham, provocando a rouquidão. O excesso frequente do uso das cordas vocais pode provocar danos ou a aparição de nódulos nas cordas vocais, o que provoca a rouquidão. Em suma, cansaço. Mas também uma doença como uma simples constipação pode originar uma laringite.

O abuso das cordas vocais pode estar na origem do desenvolvimento de pólipos - pequenas excrescências na membrana da mucosa - que interferem no movimento normal das cordas vocais, provocando rouquidão.
Fumar pode dar azo a uma inflamação crónica das cordas vocais, mas também à formação de nódulos que poderão em alguns casos tornar-se cancerígenos.
Daí que um fumador com rouquidão permanente deva consultar o médico para afastar situações mais complicadas, Outra causa da rouquidão poderá ser a subida do ácido do estômago, por vezes até à boca, irritando tudo no seu caminho, incluindo as cordas vocais.
Quando a rouquidão se prolonga para lá de duas ou três semanas, há que consultar um médico, e o mesmo devemos fazer quando a rouquidão surge associada a hemorragias, dificuldade em engolir, respirar ou se detecta algum nódulo estranho na garganta.
Nestes casos, o tempo escasseia, pois a voz rouca pode sinalizar algo mais grave, incluindo o cancro da laringe.
Nas afecções ligeiras provocadas pelo cansaço ou infecções respiratórias, o descanso é o único tratamento necessário. Quando surgem pólipos, a respectiva extracção resolve o problema; e se resulta de um afrouxamento das cordas vocais, uma intervenção cirúrgica pode torná-las mais tensas.

Recomendações
• Evite o fumo do tabaco.
• Evite falar muito alto e durante muito tempo.
• Evite o álcool e a cafeína, que desidratam o organismo, tornando a garganta mais seca.
• Beba muita água.
• Evite as comidas muito picantes.
• Evite cochichar, que exige ainda maior força das cordas vocais do que a fala normal.
• Inale vapor durante alguns minutos antes de se deitar. Enquanto dormir, faça funcionar um humidificador no seu quarto.
• Chupe rebuçados, de preferência sem açúcar, gargareje com água salgada ou masque uma pastilha para manter a garganta húmida.
• Evite clarificar a garganta e pigarrear, porque provoca vibrações anormais das cordas vocais, ao mesmo tempo que pode aumentar um eventual inchaço.

11 December, 2011

A Evolução das curvaturas




Porque temos problemas de coluna?
Rui Garganta

São vários os motivos que nos levam a ter problemas de coluna. Porventura, o mais importante está relacionado com a sua constituição.
Vejamos então: a coluna vertebral é formada por um conjunto de ossos sobrepostos que possuem, entre si, um anel fibroso que se designa por disco intervertebral. Este disco permite que a coluna realize uma série de movimentos, no entanto, tal como referimos no nº 2 desta revista (Dores de coluna quem as não tem?), a pressão sobre ele varia significativamente em função da posição do corpo.

Para além disso, podemos observar que a coluna é formada por várias curvaturas que se vão alternando para dentro (lordose) e para fora (cifose): a do pescoço (lordose), a das costas (cifose), a da zona lombar (lordose) e a da zona da anca (cifose).

A sua mobilização é feita por mais de 200 músculos que formam uma rede complexa e que permitem realizar movimentos em vários eixos e planos. Tal quantidade e complexidade confirmam a importância da componente muscular, isto é, se os músculos fossem pouco importantes não havia necessidade de serem tantos.
É importante salientar que a coluna vertebral do ser humano tem uma estrutura semelhante (número de ossos, músculos e articulações) à dos quadrúpedes (animais que se deslocam em quatro patas). Apesar disso, estes não têm problemas.
A sua grande vantagem é o facto da sua coluna não ter a pressão vertical resultante da posição bípede (de pé) e estar suportada por mais dois apoios, os quais distribuem melhor a carga sobre ela.
Esta problemática talvez seja mais fácil de entender a partir do conhecimento da sua "evolução": enquanto espécie (do quadrúpede ao bípede) e como homem (do nascimento à idade adulta).


"Evolução" das curvaturas

Antes de avançarmos com alguns pormenores, importa referir que a posição de marcha vertical é uma característica exclusiva do ser humano. As drásticas modificações decorrentes da passagem à posição bípede acarretaram consigo um conjunto de alterações que passamos a apresentar.

Nos animais quadrúpedes, a coluna vertebral apresenta apenas duas curvaturas: a do pescoço ou cervical (lordose, como no ser humano, mas menos acentuada) e a dorso-lombar, que forma uma cifose. A carga sobre ela está dividida por quatro apoios (2 mãos e 2 pés) e não existe grande mobilidade cervical, visto que os ossos do pescoço são bem mais largos e resistentes do que os do ser humano. Os quadrúpedes, quando andam, procuram ter, pelo menos, três apoios no chão, o que facilita imenso o equilíbrio e reduz, em muito, a carga sobre a coluna.

Com a posição bípede, adquirida há cerca de 4,5 milhões de anos, parte das referidas características foram perdidas e outras adquiridas. Perdemos, por exemplo, alguma da estabilidade na marcha e um pouco de equilíbrio. Por outro lado, adquirimos maior alcance, visto que os membros superiores livres nos permitem realizar um conjunto de tarefas sofisticadas, mesmo em movimento. Adquirimos também um campo de visão mais alargado, pois estamos num plano mais elevado e a cabeça move-se com maior amplitude e facilidade que nos quadrúpedes.

Do nascimento à idade adulta
Na barriga da mãe, o feto está enrolado sobre si mesmo e, por isso, a coluna vertebral tem a forma de um "C". Depois de o bebé nascer, e quando começa a gatinhar, forma-se outra curvatura, a da região do pescoço ou lordose cervical.
Esta consolida-se quando a criança consegue sentar-se, gatinhar e estender o pescoço para olhar em frente. A curvatura lombar (lordose) começa a desenvolver-se quando a criança dá os primeiros passos, e torna-se definitiva por volta dos 10 anos de idade.

Pensamos que agora é um pouco mais fácil compreender por que motivo os principais problemas de coluna se situam nas regiões cervical e lombar. Estas curvaturas, as lordoses, não são de "origem", transformaram-se no processo de "evolução" filogenética e alteram-se na evolução ontogenética. Como, em termos de evolução, são as curvaturas "mais recentes" as que apresentam um maior afastamento entre os corpos vertebrais e as que permitem uma maior mobilidade, sendo, por isso, mais propensas a lesões.

Por exemplo, a lordose cervical suporta e mobiliza a cabeça, cujo peso representa cerca de 9% do peso total do corpo. Permite também rotações com uma grande amplitude, aproximadamente 180 graus, para se poder olhar para o lado. Por sua vez, a lordose lombar, curvatura do fundo das costas, tem como missão compensar a curvatura torácica (da região do peito) e suportar todo o peso da parte superior do tronco e braços.
Esta região suporta cerca de 50% de todo o peso do corpo. A título de curiosidade podemos referir que um ser humano de 70 Kg "carrega" cerca de 35 Kg na 3ª vértebra lombar.
Por fim resta-nos referir que se não tiver cuidados diários com a sua coluna, ela tem muitas razões para lhe provocar problemas. Faça exercício físico para que os músculos não deixem de fazer a sua função.

Rui Garganta Professor universitário

Retinopatia diabética





Visão e diabetes: Retinopatia diabética pode ser evitada
Dr. José Henriques

É uma complicação ocular que surge nos diabéticos e a principal causa de cegueira evitável entre os 20 e os 64 anos. É por isso muito importante a realização de exames oftalmológicos a todos os diabéticos, pelo menos, uma vez por ano. Conheça melhor a retinopatia diabética.
O que é a retinopatia diabética (RD)?
A retinopatia diabética é uma complicação ocular da diabetes.
Os vasos sanguíneos da retina, uma camada constituída por células nervosas que reveste o interior do globo ocular ficam frágeis, rompem-se e provocam hemorragias com perda súbita da visão. É a chamada retinopatia diabética proliferativa.
Os vasos sanguíneos mais pequenos, os capilares, ao ficarem "doentes" permitem a passagem de sangue para o exterior. A retina fica "inchada" nesse local, e o doente começa a perder a visão lenta e irremediavelmente, se não tratado. É o chamado edema macular diabético.
Ambas as situações são denominadas de retinopatia diabética, que geralmente afecta os dois olhos. Se não forem tratadas a tempo, conduzem à cegueira.

O que é que sente o doente com retinopatia diabética?
Os sinais e sintomas da retinopatia diabética (RD) variam dependendo do estádio da doença.

Inicialmente não há qualquer sintoma. A doença evolui de forma silenciosa e o doente não se apercebe do risco que corre. Pode mesmo ter muito boa visão e estar em risco iminente de cegueira. Por isso, a acuidade visual, ou seja, a medição da sua visão, não deve ser usada, isoladamente, para o rastreio da RD, e daí a importância de os diabéticos consultarem o oftalmologista regularmente. No entanto, além de outros sintomas provocados pela RD, como já referimos, poderão surgir: visão enevoada, que impede de ver televisão, conhecer as pessoas a uma certa distância, ou ler; visão com manchas, "moscas volantes" e "flashes"; ou perda súbita de visão por hemorragia súbita dentro do olho.
Quem pode desenvolver a retinopatia diabética?
Todas as pessoas com diabetes, tipo 1 e tipo 2, podem desenvolver retinopatia diabética alguns anos após o início da doença. Daí a importância de todos os doentes realizarem, pelo menos uma vez por ano, o exame aos seus olhos.
As mulheres grávidas diabéticas também deverão ser sujeitas a exames aos olhos, o mais cedo possível e, posteriormente, de 3 em 3 meses.

Como saber se a diabetes já lesou os olhos?
A melhor forma de diagnosticar a retinopatia diabética passa pela realização de exames simples que permitam detectar lesões que possam ser tratadas atempadamente, identificando os diabéticos em risco de cegueira.
A avaliação com a pupila dilatada, realizada a todos os doentes diabéticos,pelo menos uma vez por ano, efectuada pelo médico oftalmologista, complementada ou não pelos exames referidos anteriormente, permite saber se há risco de cegueira e qual a necessidade e urgência do tratamento.
A detecção precoce da retinopatia diabética deverá ser realizada por quem?
A detecção precoce da RD deverá ser realizada pelos oftalmologistas, agentes de saúde vocacionados para cuidar da saúde da visão em Portugal, ou por ortoptistas - técnicos de saúde da visão que trabalham sob a coordenação dos médicos oftalmologistas e que realizam retinografias - fotografias do fundo do olho que serão depois avaliadas por médicos oftalmologistas especialmente treinados para fazer esta avaliação.

Deverá existir uma grande ligação e um canal de comunicação entre o oftalmologista e o médico de família. Os médicos de família têm um papel fundamental na informação e motivação do doente para a necessidade do diagnóstico e do tratamento precoces, antes que haja baixa da visão, bem como do controlo da glicemia, da pressão arterial e do colesterol.

É rentável investir na prevenção da RD?

A prevenção da RD é o maior investimento que cada diabético poderá fazer na saúde dos seus olhos, e para reduzir, a longo prazo, o risco de perda da visão, dado que a perda da qualidade de vida, do indivíduo e da família, relacionada com a baixa da visão que a RD provoca, é muito acentuada.
Como tratar a retinopatia diabética?
O tratamento da RD, além das medidas gerais já referidas, assenta no tratamento laser, combinado, se necessário, com outras medidas, como corticóides locais, medicamentos anti-VEGF ou cirurgia do vítreo e retina.

Dr. José Henriques, Médico oftalmologista do Instituto Gama Pinto, presidente da Sociedade Portuguesa Interdisciplinar do Laser Médico

12 July, 2011

lábios- cuide bem deles

Muita gente se preocupa com a protecção da pele com o uso de fotoprotectores e hidratantes, o que é excelente, mas, algumas vezes, só nos lembramos dos lábios quando os sentimos ressequidos e gretados.



Os lábios são compostos por um tecido que faz a transição entre a mucosa da boca e a pele, com abundante musculatura e vascularização- o que lhe dá a cor vermelha- , revestidos por uma fina camada epidérmica, e que por isso, apresentam vulnerabilidades superiores às da pele. Por exemplo, ao contrário da pele, não apresentam glândulas sebáceas que os protejam com uma camada de gordura, não têm glândulas sudoriparas que os humedeçam - a hidratação é feita com a própria saliva-, não têm melanina que os proteja dos raios ultra violeta. Isto, obviamente, para dizer que os lábios merecem atenção especial se quisermos evitar aquele aspecto seco, desidratado, rugoso, às vezes gretado e desconfortável.


Posto isto......a palavra de ordem para os lábios em época de temperaturas extremas, tanto no frio como no calor, portanto, é usar e abusar dos batons. Neste caso, as mulheres já levam vantagem, espero, mas, os homens também têm ao seu dispor produtos hidratantes para lábios. É simples: um baton hidratante que todas as farmácias vendem e que não dão brilho nem cor, nem têm cheiro ou sabor. Uma coisa importante: Este tipo de hidratantes, aplicam-se não só no lábio propriamente dito, mas ao redor da boca para atingir a zona onde normalmente se formam aqueles vincos horriveis a que "simpaticamente" chamamos "codigo de barras". É uma boa forma de o evitar. literalmente besuntar a boca e região circundante com hidratante para lábios. se não se sentir confortável com esta aplicação durante o dia, faça-o à noite. Mas faça. Uns lábios macios e hidratados, bem.........fazem a diferença. Verdade?

Varizes- mais do que estética, um problema de saúde e bem estar.




Estamos na época do calor e, se para uns este facto constitui motivo de descanso convertido em longos dias deitados ao sol, para outros, nomeadamente aqueles que sofrem de insuficiência venosa dos membros inferiores objectivada através de dilatações venosas a que chamamos varizes, para esses, os dias de calor podem ser verdadeiros suplícios além das consequências para a saúde. As varizes são um problema crónico, com tendência hereditária, e que depois de instaladas são motivo de sofrimento, quer pelo desconforto, quer pela repercussão estética, ou mesmo, pela necessidade de tratamentos periódicos mais ou menos perturbadores da rotina diária. Não há uma cura, há um controlo da situação. Posto isto, torna-se obvia a necessidade de evitar o problema e existem, de facto, algumas medidas preventivas que podem ser utilizadas pelas pessoas com tendência familiar ou com actividades que favoreçam o seu aparecimento.



Em primeiro lugar, o que são varizes?
Varizes são dilatações das veias, principalmente das pernas e coxas, que, em consequência dessa dilatação se tornam tortuosas provocando saliências na pele sob a forma de nódulos . Podem apresentar-se de diversas formas:
1- Filiformes e avermelhadas, chamadas telangiectasias (vulgo derrames).
2- Um pouco maiores e azuladas mas sem fazer saliência na pele, conferindo-lhe um aspecto tipo mapa – varizes de médio calibre.
3- Nódulos volumosos, grossos e azulados, que ultrapassam o plano da pele – varizes de grosso calibre.
Normalmente, acometem mais as mulheres devido à influência das hormonas femininas e ao facto de terem menor massa muscular que os homens. A hereditariedade é também um factor importante na perturbação do refluxo venoso – se os pais ou familiares têm varizes, teremos uma probabilidade maior de as desenvolver. As pessoas obesas ou que tiveram várias gravidezes estão particularmente susceptíveis ao problema porque o excesso de peso dificulta a tarefa das veias; ou seja, quanto maior o volume da região abdominal, maior a obstrução ao fluxo venoso de retorno dos membros inferiores até ao coração.



Quais os sintomas característicos?
Os doentes podem experimentar um ou mais destes sintomas:
Dor; Cãibras; Sensação de peso; Cansaço; Formigueiro; Inchaço.
Alguns destes sintomas podem evoluir para complicações mais graves, incluindo:
inflamação (flebite); Formação de trombos (trombose venosa profunda);
Úlceras da perna com hemorragia.



Assim sendo, quais os factores mais importantes na prevenção?



Controlo adequado do peso.
As pessoas obesas têm maior probabilidade de desenvolver varizes e/ou piorar as que já existem, tornando-as mais volumosas por aumento da tensão intra vascular, sendo que, complicação mais grave das varizes é, como se disse, o seu rebentamento, formando aquilo a que se chama vulgarmente ulcera varicosa. O controlo do peso é, portanto, fundamental na integridade dos vasos e na circulação sanguínea dos membros inferiores.



Evitar ficar por muito tempo na posição em pé ou sentada. Em qualquer destas posições existe maior dificuldade na circulação venosa de retorno dos membros inferiores e é justamente esta pressão aumentada dentro das veias, de forma continuada, que as faz dilatar. Em movimento, pelo contrário, os músculos funcionam como um coração periférico impulsionando o sangue para cima, evitando essa estase ou sobrecarga de sangue. Quando por motivos profissionais ou sociais for necessário ficar muito tempo parado, sentado, ou em pé, uma boa forma de o evitar é fazer movimentos periódicos de dorso-flexão como se carregássemos num acelerador varias vezes, ou, aproveitando um degrau, colocar a ponta dos dois pés no bordo do degrau e elevar o corpo repetidamente. Este movimento facilita o retorno venoso e a circulação dos membros inferiores por acção da contracção muscular.



Nas circunstâncias anteriormente descritas (permanecer muitas horas parado de pé ou sentado), e não havendo alternativa, é fortemente recomendável que se contrarie a necessidade persistente de posturas inadequadas com exercício físico diário, sendo que, o mais adequado é a caminhada, a corrida ou a natação, ou, de uma forma geral, o exercício aeróbico. Exercícios de alto impacto como levantamento de pesos podem agravar o problema. Faça pausas e repouse, sempre que possível, com as pernas elevadas. Se permanece sentado muito tempo, coloque um pequeno degrau por baixo dos pés para que as pernas façam ângulos de noventa graus. Não cruze as pernas.



Além do exercício, existindo uma forte tendência para a formação de varizes, o principal meio preventivo é, e sem dúvida, o uso de meias elásticas.



As meias elásticas agem desviando o sangue das veias superficiais, onde as varizes se formam, para as veias profundas (onde não existem varizes) facilitando assim a circulação do sangue no sentido ascendente. Devem ser usadas sempre que se preveja uma permanência de pé por várias horas e, principalmente, durante o tempo quente. Pelo Contrário, o uso de cintas elásticas gera tensão extra sobre os vasos periféricos das pernas, dificultando o retorno venoso o que pode aumentar a dilatação das veias ou o seu agravamento, caso o quadro já esteja instalado. O ideal é que, modo geral, peças que apertem fortemente as pernas ou as ancas, sejam evitadas.

Evitar a exposição a temperaturas altas por tempo prolongado, como saunas, banhos quentes e demorados, praia, sol directo nos horários de maior calor e sessões de bronzeamento. O calor favorece a dilatação das veias mais superficiais, permitindo a passagem de uma maior quantidade de sangue à superfície da pele, o que, com a continuação, torna essas veias habitualmente invisíveis, em vasos dilatados perfeitamente identificáveis e inestéticos.



Se for à praia, qual a atitude mais correcta? Se sentir as pernas quentes, deve entrar na água a cada 15 ou 20 minutos uma vez que o frio provoca contracção venosa melhorando a circulação. Esta prática, ou seja, passeios à beira da água fria ou mesmo duches de água fria em casa, é aconselhada também para pessoas já com varizes instaladas.



Evitar o uso de salto alto: o salto alto faz com que a musculatura da perna fique permanentemente contraída, perdendo o movimento rítmico, o que dificulta, também, a circulação venosa.



Evitar o uso da pílula se tiver problemas circulatórios, uma vez que as hormonas femininas tendem a provocar retenção de líquidos e a aumentar a pressão intravenosa e consequente inchaço e dilatação.



Concluindo, varizes dos membros inferiores são um problema efectivo de grande parte da população. Cerca de metade dos portugueses acima dos 50 anos e cerca de dois terços das mulheres com mais de 60 anos tem problemas relacionados com má circulação. Garantidamente, a melhor maneira de lidar com o problema é, sem dúvida, não fazer parte desta lista.

30 May, 2011

A sindrome do imperador






Um dos problemas mais graves que alguns pais enfrentam na educação dos seus filhos é, tentar ser flexível e justo, e estes, de forma provocatória, acabarem por tirar vantagem dessa atitude.

A tirania destas “pequenas criaturas”, pode assumir várias formas:

- Ignorar repetidamente ordens básicas solicitadas, como comer, lavar as mãos, arrumar o quarto, guardar os brinquedos, fazer TPC’s, ou outras ... usando na recusa várias formas de choro, birras, ameaças, etc.
(Para quê obedecer antes, se sabem que podem ganhar mais tempo até que os pais fiquem realmente zangados?)
- Discutir as regras e/ou punição. Não é raro, ouvirmos os filhos acusarem os pais de injustos, cruéis, maus pais, etc.

(eles sabem que, de uma forma ou outra, os pais hão-de embarcar nessa culpa e conceder mais privilégios)
- Exigir atenção constante através de um comportamento disruptivo, ou discussões entre os irmãos.
- Perguntas, perguntas e perguntas, criando nos pais a dúvida sobre a sua própria forma de actuação.

Estas intercorrências diárias, são suficientes para acabar com a paciência dos pais e criar uma fonte de tensão que torna a vida de todos num inferno.

O problema é que esses pais não sabem como colocar limites no comportamento de seus filhos. Eles não são adultos, mas são os “chefes” da família. Não são criminosos comuns, mas batem, ameaçam, roubam e agridem psicologicamente. Eles são os protagonistas da "síndrome do imperador", um fenómeno de abuso por parte de crianças em relação aos pais ou educadores e que se vem instalando de forma algo assustadora na sociedade.
Esse tipo de violência não é nova, mas nos últimos anos a incidência tem aumentado progressivamente. Em Espanha, 6 500 denúncias foram feitas à Procuradoria-Geral do Estado no ano passado. Teme-se também, que estes dados possam reflectir apenas a ponta do iceberg do problema, dada a compreensivel relutância dos pais em denunciar os seus próprios filhos. No entanto, à medida que vão percebendo que “não são os únicos”, alguns pais começam a revelar alguns dos factos e chega mesmo a assistir-se a um fenómeno preocupante: pais que imploram aos serviços sociais que cuidem de um filho/a , cujo comportamento violento (espancamentos, roubos, ameaças), não são capazes de tolerar mais.
Mas não é o habitual. O habitual é..., encobrir.

Este, parece ser um fenómeno global e já debatido há vários anos nalguns países.
Um estudo realizado nos EUA adverte que a violência (não só física) dos adolescentes sobre os pais, chega a uma incidência entre 7 e 18 por cento das famílias tradicionais (em relação ao pai chega a 29, enquanto as estatísticas do Canadá argumentam que um em cada 10 pais são abusados).

Porque razão? O que é que acontece na personalidade de uma criança que a leva bater nos seus próprios pais?
O assunto foi debatido em reunião do colégio de psicólogos espanhóis. Alguns especialistas dizem que muitas causas genéticas, ambientais e familiares apoiam o desenvolvimento desta Síndrome do Imperador.

Carlos Peiró, um psicólogo na Unidade de Orientação da Família e Comunidade de Madrid, inclui o abandono das funções da família, a superprotecção, o “fazer todas as vontades”, os hábitos familiares determinados por limitações de tempo, falta autoridade, permissividade e, acima de tudo, a falta de elementos afectivos como a cordialidade no relacionamento com as crianças, como factores determinantes. No fundo, estas crianças são mais educadas noutros ambientes sociais, do que na família. A família, passa a ser constituída por…. quase estranhos. Mais ainda, estes filhos convencem-se que os seus pais não têm legitimidade, nem poder, para os castigar e não os temem".

Para outros especialistas, a permissividade ou a falta de autoridade, não são suficientes para explicar esse fenómeno da violência
"Um pai excessivamente permissivo resulta num filho rebelde e irresponsável, mas não uma criança violenta. A permissividade pode estragar um filho (torna-lo preguiçoso, irresponsável, leva-lo a sair com as más companhias), mas, a violência é resultado da falta de "compromisso moral" e de "sentimento de culpa", geralmente no final da adolescência ", diz Vicente Garrido, psicólogo, professor de Pedagogía na Universidad de Valencia.
Para Garrido, o fundamental é que estas crianças "são incapazes de desenvolver emoções morais (como o amor, empatia ou compaixão), resultando em dificuldade para mostrar culpa, remorso sincero, e noção de ilegalidade."

Assim, diz-se que a "síndrome do imperador" tem razões biológicas (dificuldade em desenvolver as emoções e a consciência moral) e sociológicos (“a culpa é desacreditada e incentiva-se a gratificação imediata e o hedonismo”).
Seja como for, a verdade é que a família e a escola perderam o poder de educar e disciplinar, o que favorece as crianças com esta predisposição, anteriormente detida pela família e pela sociedade, e que agora encontra o terreno óptimo para crescer.

Introduz-se, entretanto, um terceiro factor: A importância da comunicação social
Segundo Garrido, autor de Los hijos tiranos: el síndrome del emperador , a televisão ensina valores muito hedonistas e consumistas, e dificulta a aprendizagem do auto-controle, ou seja, a capacidade de esforçar-se para renunciar a coisas inadequadas e, por outro lado, dificulta a opção por objectivos que impliquem esforço . "Os filhos-tiranos, observam nestes meios muitas condutas e metas que são coincidentes com os seus desejos: divertir-se e fazer o que bem lhe apetecer sem que ninguém o possa impedir "

E um quarto, não menos interessante. Ou polémico. A maior incidência de famílias monoparentais.
"A maioria dos casos ocorre em mães que voltam a ter outro parceiro", disse Luis González Cieza, coordenador do programa de maus tratos infantis da Agência para a Reeducação e Reinserção do Menor Infractor. Um dos poucos estudos a este respeito é "A violência dos jovens na família, uma abordagem para crianças relatadas pelos pais", desenvolvido pelo Centro de Estudos Jurídicos da Generalitat da Catalunha.
O relatório disse que a mãe é a vítima em 87 por cento das situações em que essa violência ocorre, e que, principalmente, recebe ataques físicos e também verbais. Em 13,8 por cento dos casos, o estudo mostra que o assédio moral ocorreu com uma faca ou arma semelhante.

Ou seja, parece que a mulher, neste neste campo, assume um papel de culpada largamente superior ao do homem, e que minimiza cedendo na disciplina em relação aos filhos....


Gonzalez Cieza acrescentou ainda que a idade média das crianças apontadas neste tipo de violência é menor do que em outros crimes. A idade média para a Síndroma do Imperador, são os 16 anos. Muitas vezes sem antecedentes criminais.
Uma última característica curiosa é que, essa violência tem uma incidência significativamente maior nos filhos adoptivos em relação aos filhs biológicos.

Posto isto, e para concluir…..Você tem um Imperador em casa?

Identifique-o:

1 .- Crianças com dificuldade em desenvolver emoções morais (empatia, compaixão, amor, etc) , o que resulta em muita dificuldade para mostrar a culpa, remorso sincero e noção de delito.
2 .- A incapacidade de aprender com os erros e penalizações. Para desespero dos pais, não adiantam repreensões ou conversas, porque apenas parece interessar o próprio benefício, guiado por grande egocentrismo. São completamente insensíveis ao castigo.
3 .- Comportamento sistemático de desafio, mentiras e até a crueldade para com os mais novos. irmãos e amigos.

25 February, 2011

post para " alérgicos à penicilina"


As penicilinas, conhecidas no meio médico por antibióticos B-lactâmicos, constituem um grupo amplo de AB’s extensamente utilizados na pratica clínica diária para tratar grande parte das infecções.
Como primeira regra, se for alérgico à Penicilina, deve comunicar esta condição sempre que recorrer a um serviço médico. Isto porque, em caso de ser necessária a toma de um antibiótico, não deve ser administrado qualquer medicamento da família dos “B-lactâmicos”. Devo salientar que, provavelmente, a maioria dos doentes rotulados como “alérgicos à penicilina”, não o são. Acontecem com alguma frequência outro tipo de reações, nomeadamente vagais (tonturas, mau estar, suores, desmaios), que são incorrectamente interpretados como “alergia”. Não é infrequente, por exemplo, que doentes com este rótulo receberem antibióticos deste grupo sem qualquer intercorrência.

Mas voltando aos verdadeiros alérgicos, os grupos de medicamentos a evitar, são:
Penicilina G (penadur)
Penicilinas penicilinase resistentes ou anti estafilocócicas: Oxacilina, flucloxacilina(Floxapen), Cloxacilina, Dicloxacilina(Diclocil ), Nafcilina, Meticilina
Penicilinas antipseudomonas- carboxipenicilinas - carbenicilina, ticarcilina
Ureidopenicilinas :mezlocilina, azlocilina, piperacilina
Cefalosporinas
1º geração: Cefadroxil, Cefazolina, Cefradina
2ª geração: Cefuroxime, cefoxitina,
3º geração: Cefotaxime, Ceftriaxona, Ceftazidime, Cefoperazona …
4º geração: cefepina
Carbapenemes: Imipnem, Meropnem
Monobactâmicos: aztreonam
Inibidores das Blactamases: Ac clavulamico que, vulgarmente se usa associado à amoxicilina (augmentin, clavamox)

Alternativas mais vulgarmente usadas para infecções em doentes alérgicos à penicilina:
Infecções respiratórias em geral: Macrólidos : eritromicina, claritromicina (Klacid)
Infecções Gastro-intestinais: Clindamicina, metronidazol, cotrimoxazol (bactrim)
Infecções urinárias: Quinolonas (ciprofloxacina)

19 February, 2011

Dieta Vegetariana, como torná-la equilibrada.


Uma dieta vegetariana bem planeada pode responder de uma maneira saudável às suas necessidades nutricionais.

Geralmente, opta-se por uma dieta vegetariana por razões culturais, religiosas ou éticas. Ou, pode fazer-se uma alimentação vegetariana, simplesmente, para permanecer saudável e prevenir problemas de saúde, como doença cardiovascular.
Qualquer que seja a razão, é necessário fazer escolhas inteligentes para que todas as necessidades do organismo sejam satisfeitas em relação a pessoas de todas as idades, incluindo crianças, adolescentes e mulheres grávidas ou a amamentar. A chave é estarmos cientes de todas as necessidades nutricionais. De qualquer modo, se não faz a mínima ideia de como criar uma dieta vegetariana equilibrada, em primeiro lugar, fale com um nutricionista ou um médico. Informe-se. Pesquise.

Tipos de dietas vegetarianas
Quando as pessoas pensam numa dieta vegetariana, geralmente pensam numa dieta que não inclui carnes, aves ou peixes. Mas, as dietas vegetarianas podem ser categorizadas em três tipos:

■ dieta vegan, que exclui carnes, aves, peixes, ovos, lacticínios e os alimentos que contêm esses produtos.
■ dieta lacto-vegetariana, exclui carne, peixe, aves e ovos, bem como os alimentos que os contêm. Os produtos lácteos, como leite, queijo, iogurte e manteiga são, no entanto, permitidos.
■dieta ovo-lacto vegetariana exclui carne, peixe e aves, mas permitem os ovos e lacticínios.
Algumas pessoas seguem uma dieta semi-vegetariana – ou também chamada dieta flexitariana - que é normalmente uma dieta baseada em vegetais, mas inclui carnes, lacticínios, ovos, aves e peixes nalgumas ocasiões ou em pequenas quantidades. Ou seja, é o vulgarmente chamado “ vegetariano que de vez em quando come carne”, ou “vegetariano flexível”.

A pirâmide vegetariana.
Uma dieta saudável corresponde a uma pirâmide alimentar que pode ser uma ferramenta útil. A pirâmide vegetariana apresenta grupos de alimentos e as escolhas alimentares que, se ingeridos nas quantidades certas, formam a base de uma dieta equilibrada.

A chave para uma dieta vegetariana – como, de resto, em qualquer dieta – pressupõe desfrutar de uma grande variedade de alimentos. Nenhum alimento pode oferecer todos os nutrientes de que o corpo precisa, sendo que, o maior desafio é obter todos os nutrientes de que necessitamos.
Uma dieta vegan, por exemplo, elimina fontes alimentares de vitamina B-12, bem como, de produtos lácteos que são boas fontes de cálcio. Portanto, torna-se necessário fazer um esforço extra para garantir que esta dieta inclua quantidades suficientes dos nutrientes em falta.

São eles:
Cálcio – elemento que ajuda a construir e manter estruturas fundamentais como os dentes e os ossos. Leite e lacticínios com pouca gordura têm um teor mais elevado em cálcio. Vegetais verde-escuros, como o nabo, couve e brócolos, são boas fontes vegetais de Ca, quando ingeridos em quantidades suficientes. Outras opções, são produtos enriquecidos com cálcio, incluindo sumos, cereais, leite de soja, iogurte de soja e tofu.
Iodo é um componente das hormonas da tiróide, que ajudam a regular o metabolismo, crescimento e função de muitos órgãos importantes. Os vegans inevitavelmente não consomem a quantidade suficiente de iodo , acabando por se manifestar uma deficiência de iodo e, possivelmente, um quadro de bócio. Porque os fabricantes de alimentos não pode usar o sal iodado em alimentos processados, os vegans podem garantir esse suplemento usando sal com iodo na mesa ou na cozinha. Apenas 1 / 4 colher de chá fornece uma quantidade significativa de iodo.
■ Ferro é um componente crucial dos glóbulos vermelhos. Feijão, ervilhas, lentilhas, cereais enriquecidos, produtos de grãos integrais, vegetais verdes de folha escura e frutas secas são boas fontes de ferro. Dado que o ferro não é tão facilmente absorvido a partir de fontes vegetais como o de origem animal, a ingestão recomendada de ferro para os vegetarianos é quase o dobro do recomendado para não-vegetarianos. Para ajudar o organismo a absorver o ferro, poder comer simultâneamente alimentos ricos em vitamina C, como morangos, frutas cítricas, tomate, repolho e brócolos. De qualquer modo, existem no mercado inúmeros suplementos de Ferro.
Ácidos gordos ômega-3 são importantes para o sistema cardiovascular, bem como para a visão e o desenvolvimento do cérebro. As dietas vegetarianas que não incluem peixe e ovos são geralmente baixas em formas activas de gorduras ómega-3. Como a conversão de ómega-3 de origem vegetal nos tipos usados por seres humanos é ineficaz, podem adicionar-se produtos fortificados ou suplementos, ou ambos, amplamente disponíveis no mercado.
Proteinas- as proteínas ajudam a manter quase todas as estruturas do nosso organismo, nomeadamente os músculos, órgãos e ossos. Os ovos e os lacticínios são boas fontes, e precisamos de comer grandes quantidades para satisfazer as necessidades de proteína. Podemos também obter proteínas suficientes em alimentos de origem vegetal, se comermos uma variedade significativa ao longo do dia. As fontes vegetais incluem produtos de soja e substitutos da carne, legumes, lentilhas, nozes, sementes e grãos integrais. A substituição, aqui, é relativamente fácil e inerente à própria dieta.
Vitamina B-12 -é necessária para produzir glóbulos vermelhos e prevenir anemia. Esta vitamina é encontrada quase exclusivamente em produtos de origem animal, por isso pode ser difícil conseguir B-12 suficiente numa dieta vegan. A deficiência de vitamina B-12 pode passar despercebida em pessoas vegetarianas. E isto porque, a dieta vegetariana é rica em ácido fólico, que pode mascarar a deficiência em vitamina B-12 até ocorrerem problemas graves. Por este motivo, é importante para os vegans considerem a ingestão de suplementos dessa vitamina, assim como a escolha de cereais enriquecidos com vitaminas e produtos de soja fortificados.
A vitamina D desempenha um papel importante na saúde óssea. A vitamina D é adicionada ao leite de vaca, algumas marcas de soja, leite de arroz, alguns cereais e margarinas(verifique os rótulos). Entretanto, se não comer o suficiente de alimentos fortificados e tiver exposição solar limitada, pode ser necessário a suplementação com vitamina D-2 .
Zinco- é um componente essencial de muitas enzimas e desempenha um papel importante na divisão celular e na formação de proteínas. Assim como o ferro, o zinco não é tão facilmente absorvido a partir de fontes vegetais como é de produtos de origem animal. O queijo é uma boa opção se comer produtos lácteos. Fontes vegetais de zinco incluem grãos integrais, produtos de soja, legumes, nozes e gérmen de trigo.

Agora, os primeiros passos na dieta vegetariana.
Se ainda não faz uma alimentação vegetariana mas você está a pensar em tentar, aqui estão algumas ideias que o podem ajudar a começar:

■ Aumente progressivamente o número de refeições sem carne usando pratos de que já goste, como macarrão com molho de tomate ou vegetais salteados.
■ Aprenda a substituir. Pegue nas receitas favoritas e experimente-as sem carne. Por exemplo, fazer chili vegetariano deixando de fora a carne picada e adicionando uma lata de feijão preto extra. Ou…. usando tofu ou soja, em vez de frango. Provavelmente vai surpreender-se ao descobrir que muitos pratos requerem apenas substituições simples.
■ Informe-se, prove. Procure na Internet menus e sugestões culinárias vegetarianas. Existem aos milhares. Experimente restaurantes vegetarianos. Quanto mais variedade trouxer para a sua dieta vegetariana, maior probabilidade de satisfazer as suas necessidades nutricionais.

04 February, 2011

o sal da vida


Várias são as situações ao longo da vida clínica em que dizemos ao doente “tem que comer com pouco sal”, mas, poucas vezes lhe é explicado o que isto significa.
Uma dieta pobre em sal é frequentemente recomendada a doentes com Hipertensão, ou com patologias que se caracterizem por acumulação de líquidos como a insuficiência cardíaca, a doença hepática crónica ou a insuficiência renal. Explicaremos porquê.

Em primeiro lugar, para que serve o sal, ou Cloreto de Sódio, no nosso organismo?

O nosso corpo precisa de sódio para funcionar adequadamente, porque….

■ Ajuda a manter o equilíbrio de líquidos do organismo
■ Ajuda a transmitir os impulsos nervosos
■ Influencia a contracção e o relaxamento dos músculos

Os nossos rins, naturalmente, e em indivíduos saudáveis, conseguem equilibrar a quantidade de sódio armazenada de modo a manter o estado de saúde. Quando os níveis de sódio são baixos, os rins, basicamente, retêm o sódio. Quando os níveis de sódio são altos, os rins excretam o seu excesso na urina. Esta é a chave do equilíbrio.

Mas… se por algum motivo os rins não conseguem eliminar o sódio suficiente, este começa a acumular-se no sangue.
Porque o sódio atrai a água (efeito osmótico), o volume de sangue aumenta.
O volume aumentado do sangue faz o coração trabalhar mais para que este seja movimentado através dos vasos sanguíneos, o que aumenta a pressão nas artérias. Como já foi dito, doenças como a insuficiência cardíaca congestiva,a cirrose hepática e a doença renal crónica podem tornar difícil para os rins manter os níveis de sódio adequados.

Algumas pessoas são mais sensíveis aos efeitos do sódio do que os outras. Se tivermos tendência a reter sódio com mais facilidade, este aumento pode levar à retenção de líquidos e ao aumento da pressão arterial. O sódio extra pode até levar à hipertensão arterial que, por seu lado, provoca doenças cardíacas, derrames, “ inchaços”, doença renal e insuficiência cardíaca congestiva. É um “ciclo vicioso”

Posto isto, de que sódio precisamos nós?

■ um adulto saudável não deve exceder 2.300 mg de sódio por dia.
■ Se tiver tensão alta, doença renal ou de fígado, se tiver diabetes, se for negro (mais hipertensos), ou idoso, não deve exceder 1.500 mg de sódio por dia.

Tenha em mente que apenas uma colher de chá de sal de mesa tem 2.300 mg de sódio, ou seja, o total diário ideal.
Na verdade, se pensarmos um pouco na dieta que habitualmente fazemos, verificamos sem dificuldade que, todos nós, ingerimos por dia muito mais sódio do que é recomendado, o que pode levar a sérios problemas de saúde. Calcula-se que ingerimos cerca de 4 a 6 gramas(4000 a 6000 mg) por dia. E se pensarmos, ainda, na incidência de Hipertensão e problemas cardiovasculares nas sociedades ocidentais, então, temos a certeza de que este excesso e as suas consequências são mesmo uma realidade inquestionável. Mais ainda, alguns estudos mostram que pessoas hipertensas poderiam até parar de tomar medicamentos se, simplesmente, abolissem a presença de sal na dieta.

A realidade da nossa alimentação, que ainda junta uma pitada aqui e ali, agrava as contas rapidamente para níveis insalubres de sódio. E não é só com o sal de mesa que temos que nos preocupar. Muitos alimentos processados e preparados já contêm grande quantidade de sódio.

Principais fontes alimentares de uma dieta típica:

■ Uma grande parte do sódio na dieta vem de alimentos que são processados e preparados. Estes alimentos são geralmente ricos em sal, que é uma combinação de sódio e cloreto, e em aditivos que contêm sódio. Embora esses ingredientes melhorem o gosto e a conservação dos alimentos, podem aumentar consideravelmente o consumo de sódio.
Devemos ficar especialmente atentos aos rótulos dos alimentos industrializados.
A legislação obriga os fabricantes de alimentos e bebidas a incluírem nas tabelas de informação nutricional a quantidade de sódio presente, bem como, o valor diário de referência por porção (VD). Isto quer dizer que se no rótulo de uma massa congelada, por exemplo, vir um VDde 40%, quer dizer que estará ingerir 40% do sódio necessário para atingir suas necessidades diárias. E isto apenas numa porção do alimento.Outros exemplos: Azeitona verde (cerca de 30 g) 925 mg
Picles (cerca de 30 g) 440 mg
Biscoito salgado (cerca 30 g) 475 mg
Bacon (03 fatias grelhado) 300 mg
Batata frita (cerca de 30g) 135 mg
Salame (cerca de 50 g) 575 mg
Presunto magro (cerca de
■ Na cozinha e na mesa. É aqui que está grande parte do drama. Poderemos afirmar sem exageros que a maioria dos temperos contêm sódio. Por exemplo, uma colher de sopa (15 ml) de molho de soja, tem aproximadamente 1.000 mg de sódio. Além do sal, ele próprio. Outra coisa: O paladar é enganador e por si só não poderá dizer-lhe quais os alimentos que são ricos em sódio. Por exemplo, um pão pode atingir 532 mg de sódio.
50 g) 700 mg
Leia os rótulos dos alimentos. Além do sódio, também indica se os ingredientes incluem sal, sódio, ou compostos tais como glutamato monossódico (MSG), bicarbonato de sódio, fermento em pó, fosfato dissódico, nitrato ou nitrito de sódio
Muitos pacotes de alimentos incluem ainda termos relacionados. Aqui estão alguns exemplos.
■ sódio ou sal-livre. Cada porção de produto contém menos de 5 mg de sódio.
■ Muito baixo teor de sódio. Cada porção contém 35 mg de sódio ou menos.
Lite ou light em sódio. O teor de sódio reduzido em pelo menos 50 por cento a partir da versão regular.
■ Sem sal. Nenhum sal é adicionado durante o processamento de um alimento que normalmente contém sal.
Mas cuidado - os alimentos rotulados "sódio reduzido" ou "light em sódio" podem conter ainda uma grande quantidade de sal. Se o produto regular começa com alto teor de sódio, reduzindo-o em 25 ou 50 por cento pode fazer pouca diferença. Por exemplo, uma sopa de macarrão com frango enlatado contém cerca de 1.100 mg de sódio por lata, enquanto a versão do “sódio reduzido” pode ainda ter 820 mg por dose. Logo, leia.

■ Alguns alimentos, ainda contêm sódio naturalmente. Estes incluem aipo e outros legumes, produtos lácteos como leite, carne e marisco. No entanto, se ingeríssemos estes alimentos isentos de aditivos, a quantidade total de sódio seria perfeitamente razoável. Por exemplo, 1 copo (237 ml) de leite de baixo teor de gordura tem cerca de 107 mg de sódio.

Uma norma de conduta?? Evite produtos com mais de 200 mg de sódio por porção. E verifique as informações nutricionais, tenha em consideração a quantidade total e quantas porções você realmente come.

Ideias base.
Independentemente de se ser saudável ou não, a maioria das pessoas pode beneficiar da redução da ingestão de sódio. Em média, recordo, comemos cerca de 4 a 6000 mg de sódio por dia - cerca de o dobro do objectivo global.

Sugestões para redução da quantidade de sódio na dieta:
■ Reduza gradualmente. A redução abrupta é muito mal tolerada. O gosto pelo sal é adquirido, portanto, podemos aprender a gostar menos. Diminuir o uso de sal de forma gradual contribui para que o paladar se vá ajustando.
■ Coma mais alimentos frescos e menos alimentos processados. A maioria das frutas frescas e vegetais são naturalmente de baixo teor de sódio. Além destes, na carne fresca, é mais baixo teor de sódio do que nos pré-cozinhados, bacon, cachorro-quente, salsicha e presunto. Compre aves frescas e congelados de carne que não tenha sido injectados com uma solução contendo sódio (conservante). Procure no rótulo ou pergunte no talho.
■ Se comprar alimentos industrializados, escolha aqueles que são rotulados como "baixo teor de sódio".
■ Retire o máximo de sal das receitas sempre que possível, nomeadamente nos guisados, estufados e outros pratos principais que pode cozinhar com outros temperos, por exemplo, ervas aromáticas, frescas ou secas, alho, cebola e sumo de limão ou laranja, lima. Já os produtos de panificação são, geralmente, uma excepção, já que deixar de fora o sal pode afectar significativamente o sabor. Use livros de receitas que se concentrem em reduzir os riscos de tensão alta e doenças do coração para ajudar a poupar no sal sem estragar o gosto ou qualidade.
■ Limite o uso de condimentos com grande teor de sódio: molho de soja, saladas, molhos, ketchup, mostarda….
■ Utilize substitutos do sal com moderação Muitos substitutos contêm cloreto de potássio, que, em excesso, pode ser prejudicial se tiver problemas de rins ou se tomar medicação para insuficiência cardíaca congestiva ou hipertensão arterial que cause retenção de potássio.

A lembrar:
Depois de algumas semanas a reduzir o sal, provavelmente , alguns alimentos podem até passar a parecer-lhe demasiado salgados, um pouco à imagem do que acontece com os ex-fumadores, que acabam por ser um pouco mais sensíveis ao cheiro do tabaco do que quem nunca fumou.
Comece por não usar mais do que 1 / 4 de colher de sal por dia e, então, gradualmente reduza até… nenhuma.
À medida que usar menos sal, a sua preferência por ele claramente diminui, permitindo-lhe desfrutar o sabor do alimento em si, com os benefícios daí decorrentes.